Um refletor por um chocolate

A minha adaptação ao velocipedismo tem sido gradual. Começou com “casa-trabalho-casa” uma vez por semana para o actual ida-e-volta diário. Começou também com a passagem da mochila do portátil para uma mochila de commuter, e depois para um misto de mochila, porta-bagagens e alforges, cuja busca tradicional intfrutífera relatei aqui.

Porta-bagagens “vindo de fora” montado e é preciso para trás uma luz, ou reflector porque, claramente, a luz montada no espigão do selim não é eficaz com os alforges e porta-bagagens. Para não repetir a “canseira” da busca do porta-bagagens, cingi a busca pelo reflector a duas lojas, tradicionais (mais tradicional em Lisboa do que aquelas onde fui parece-me que não há). De manhã, na abertura, numa fui bem recebido, na outra nem por isso. Independentemente disso, em nenhuma delas havia aquilo que procurava.

Já sem esperança de encontrar o que precisava numa loja física, ia optar pelo online mas, ontem ao final da tarde passei pela Avenida do Brasil. Já tinha visto que existia por ali uma loja de velocípedes “não convencional” e lido boas críticas acerca da mesma, decidi arriscar.

Cheguei, desmontei, entrei, cumprimentei e fui cumprimentado, passou-bem? Tudo bem. A loja apresenta uma espécie de cenário de Mad Max Urbano-Chique. Bastantes peças, usadas, aparentemente desarrumadas mas bem organizadas. Expus o meu problema, preciso de um reflector para o porta-bagagens. “hhmm onde é que eu tenho uma coisa dessas?” e voilá, do fundo de uma caixa aparece a peça!

Sai um reflector (usado) para prender no porta-bagagens. “É isto mesmo, espetacular”, “Pronto, só tem de arranjar uns parafusos e está feito”, “Impecável, vou levar, quanto é?”, “Não é nada.”. “Nada?” Nos tempos que correm, cobrar nada por alguma coisa é muito. “Nada, é uma oferta”. Fiquei contente, obrigado. Falámos mais um pouco, acerca da luz vermelha que deveria colocar ali atrás. Disse que iria arranjar um suporte para prender a minha luz actual, abri a mochila para mostrar a luz e lá dentro, um chocolate. “Olhe, ofereço-lhe este chocolate.”. “Não, deixe estar”. “Nada disso, faço questão, um Ovomaltine, como quando éramos putos”. Aceitou. “Uma troca justa”. Também achei, obrigado Velo Corvo, um dia que considere a mudança para uma bicicleta “menos convencional” terei em conta a loja, e em breve passo para mais uma visita e quem sabe, outro chocolate ;)

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