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Iron Brain World, vassoura modo OCR

Mais uma visita ao Regimento de Comandos na Serra da Carregueira, perto de Belas, desta vez fui o último a chegar mas, não foi por acaso, foi por ser vassoura mesmo.

Conheci o Diego Sacco, a Eufémia Nunes e o Rui Lima no ido 10 de Março de 2013, no Treino Comando Challenge, como preparação para a primeira corrida de lama e obstáculos em Portugal. Desde esse dia para cá, mais perto ou mais longe temo-nos mantido sempre em contacto.

Eu, Diego, Eufémia e Rui

 

De lá para cá, participei no primeiro Comando Challenge com a Joana e o Hugo, fui comando por um dia com o Joel, Elsa, Joana, Patrícia, Hélia e Carlos e voltei este ano ao “recreio” dos Comandos na Carregueira, para ser vassoura na OCR Iron Brain World de 2016.

Este ano, a prova este ano dava oportunidade de qualificação para o Campeonato da Europa aos 10 primeiros classificados Masculinos e Femininos da categoria ELITES. O “meu General Kalú” ficou no TOP 10 masculino, foi uma alegria, parabéns!

 

Quanto a mim, cheguei cedo, 07h00 apresentava-me ao serviço como voluntário na organização. A tarefa, bastante simples. Seria o último a partir e o último a chegar no percurso dos 13km da geral, garantindo que nenhum participante ficaria sozinho ou para trás.

Na zona da partida, os participantes eram divididos por mim e pela Eufémia em grupos de entre 9 e 14 pessoas (o último grupo foi de 20 mas iam todos juntos e foram os últimos a sair dos 13km), entrando por nossa indicação para a grelha de partida, e saindo ao disparo de um tiro de salva disparado por um Comando. Os grupos de 13km Elite (Senhoras e Senhores) partiu antes, com o Rui Lima atrás deles.

Com cerca de 700 participantes, foram quase de duas horas na zona da partida a agrupar pessoas, conjugar a sua entrada na grelha de partida, juntar grupos mais pequenos ou participantes individuais com grupos maiores de forma a manter o equilíbrio no número de saídas por intervalo, tentar manter a boa disposição e o ânimo devido ao tempo de espera necessário, saltar nas poças, molhar participantes, atirar lama, tirar fotografias, e ter sempre um olho atento a todo o meio envolvente, não é tarefa fácil.

Valeu a presença da Eufémia e do Artur que ia falando com alguns participantes, e a boa disposição geral da maioria dos participantes, embora se notasse algum “nervoso” especialmente em quem nunca tinha participado numa prova deste tipo.

Depois da saída, começou a pista de obstáculos. Logo no arranque fiquei cá atrás com o Nuno e a Rita (óóóó Rita!!!!). Optei por não fazer os obstáculos, exceptuando os mais simples (o túnel da carreira de tiro e a subida de pneus), isto porque não saberia quanto tempo iria demorar a fazer o percurso e tinha a certeza de que caso o fizesse iria ficar ensopado rapidamente. A Rita, não ia muito motivada mas após algumas insistências minhas, do Nuno e de um mergulho refrescante, lá mudou o chip e rapidamente desapareceu da minha vista, ficando eu no fundo a alternar entre alguns grupos de participantes que iam menos fortes ou menos focados.

Entre uma atleta que numa queda tinha aleijado uma nádega, outra atleta que tinha dado uma pancada num obstáculo e que tinha, para além de um corte na canela a zona a inchar, e um participante que, à conta da fraqueza que levava eu estava a ver que ia cair para o lado a qualquer altura, fomos andando (não correndo) pelo percurso fora, sempre sob o olhar atento dos Comandos omnipresentes, e dos voluntários presentes em cada obstáculo, seguidos de perto por dois Unimog que iam recolhendo os Comandos, voluntários e quem mais precisasse de ajuda pelo percurso fora.

 

Durante a prova, fui alternando psicologicamente entre o “sentido de missão”, a “melancolia” pela prova de 2015 e respectiva ausência da maioria dos companheiros, e a “pena” de não estar a participar como atleta este ano, isto porque achei o percurso muito mais desafiante do que em 2015, embora não tenhamos passado no túnel em que é preciso rastejar, e tenham sido retirados cinco obstáculos ao percurso mas, a vida é feita de escolhas e a minha escolha para este ano foi esta, de participar como vassoura, consciente e de pés no chão, vivendo o presente a pensar no futuro, e tentando não ficar preso no passado.

Obstáculos ultrapassados, incluindo a lagoa que este ano atravessei de bote de borracha, chegada à meta. A recepção boa, e menos boa.

Boa porque esperavam por nós o Diego, o Vitor, a Rita e um conjunto grande de voluntários, para além dos Comandos é claro. Menos boa, porque de resto já quase toda a gente e todos os expositores se tinham ido embora, ou estavam em vias de ir, finalizando o desmontar das suas tendas, excepção feita ao GOFE.

Passámos a meta, os últimos e eu, com o Diego, e acabou. Demos abraços, beijinhos e debandada dos participantes, eu, fiquei, mais abraços, ao Diego e ao Vitor.

Ainda não tinha chovido, só choveu quando o Diego foi dar uma palavra de apreço aos Comandos presentes e que ali estavam voluntariamente a “tomar conta de nós” e a ceder-nos o seu “recreio”, de forma a podermos usufruir do melhor que essa força militar tem para nos dar.

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A chuva continuava a cair, tal como quando tinha saído de casa, oito horas antes. Despedi-me, desta vez à séria, fui ao carro buscar a muda de roupa completa e fui para o “barracão do credenciamento” mudar-me, enquanto ainda flutuava na “nuvem hipnótica” da manhã passada na Carregueira.

Fui para casa, com um sorriso na cara e com o sentido de “dever cumprido”, satisfeito por mais uma vez poder retribuir tudo aquilo que o Universo me dá, e com a certeza que dei o melhor de mim aos outros, naquelas poucas horas de disponibilidade.

One comment

  1. Grande João.
    O nosso Muito Obrigado mais uma vez por todo o profissionalismo e boa disposição com que encaraste este nosso desafio.

    Grande abraço.
    Victor Ferreira

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