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Trail Lousa, ser vassoura na capital do queijo fresco

Apanhei o Bruno cedo, hora de almoço. A Trail Lousa começava às 15h00 e iamos fazer de vassoura na prova longa em (adivinhe-se), Lousa.

Muitas caras conhecidas davam côr a esta prova às portas de Lisboa, e muitas camisolas da SPEM estavam presentes, não tivesse decorrido nessa manhã um mega-treino solidário dessa associação (no qual não pude estar presente mas, honrei a camisola usando-a durante a tarde).

Antes da partida, aguaceiros e nuvens carregadas a perder de vista por todo o horizonte. Pouco tempo após o arranque, o Sol abriu, e até fiquei bronzeado na cara após 4h30 na Serra.

A prova, que subia ao Cabeço de Montachique e a quase todos os picos visíveis, bem como descidas respectivas, fazia parte do percurso do Trail Montes Saloios, considero que tenha sido “Os Montes Saloios mais três subidas”.

Pelo caminho vimos ovelhas, cabras, vacas, bois e bezerros e, eólicas, muitas eólicas. Os dois abastecimentos no percurso, bem recheados de sólidos e líquidos, e cheios de jovens bem dispostos e animados. As marcações sempre visíveis, e afinal de contas não foi preciso dar uso aos frontais, pois a prova acabou ainda durante o dia.

Não é preciso equipamento topo de gama para participar em provas de trilhos

Durante o percurso, eu e o Bruno fomos sempre “controlando” a posição dos últimos participantes na prova, deixávamos de os ver quando eles passavam os cumes, voltávamos a vê-los quando lá chegávamos nós.

Na chegada, 4h30 depois do arranque, enquanto comiamos mais uns queijinhos (não vi nenhum fresco) e umas tostas, a Isa e o Victor dizem “mas vocês já estão aqui? Faltam três ou quatro pessoas.” “Impossível”, respondi eu, “viemos sempre convosco debaixo de olho”. “Pois, mas vimos ali para trás umas pessoas atrás de nós”.

Fiquei com a “pulga atrás da orelha”. No último abastecimento perguntei a quem me pareceu ser a responsável pelas pessoas que sabíamos que faltavam, “o casal das camisolas amarelas, o casal das camisolas pretas e vermelhas e ‘um participante assim grande, com um buff na cabeça e uma mochila igual à minha'”. Quanto ao último, não tenho a certeza que tenham ficado convencidos da sua passagem, quanto aos outros tudo ok.

Despedimo-nos de todos, estamos a ir para o carro e, pasme-se, vêm quatro pessoas a descer o último monte, a chegar a Lousa. Voltámos imediatamente para trás para apurar o que se tinha passado. Ora, esses quatro participantes tinham-se perdido, na zona do planalto a seguir á sexta subida, andando por lá cerca de 12 minutos num percurso errado e entretanto, foram ultrapassados por nós. No abastecimento anterior tínhamos dado 10 minutos de avanço ao último participante a sair, e foi o suficiente, portanto foram na realidade 2 minutos atrás de nós até esse ponto.

Claramente que terá havido uma mistura de inexperiência de parte a parte (da parte dos participantes e da parte dos voluntários no último abastecimento), com uma grande falha de comunicação, pois pelo que os participantes nos disseram, nesse abastecimento perguntaram se os vassouras já tinham passado e foi-lhes dito que sim, que tínhamos passado há uns minutos.

Na minha opinião, o responsável do mesmo deveria ter ligado imediatamente para a “base” (o número até vinha impresso no dorsal) e avisado que haviam participantes atrás dos atletas vassoura, e depois o facto ser comunicado a nós pois é claro que da nossa parte teríamos esperado ou voltado para trás ao seu encontro. Assim, esta pequena falha acabou por ensombrar uma tarde que tinha tudo para ser perfeita, pese embora a situação não tenha sido causada por mim (ou por nós, atletas-vassoura), mas felizmente tudo acabou bem. Felizmente também, esta não é uma daquelas organizações em que os atletas-vassoura vão tirando as marcações conforme passam, senão esses quatro participantes ficariam perdidos na Serra…

Uma maneira simples de evitar este tipo de situações é fazer um controle zero antes da partida. Nem sempre isto é fácil de fazer mas no caso, tendo em conta o sistema utilizado para controle do tempo dos atletas, era simples, bastava usar umas barreiras de protecção, vedar o recinto da partida, passar o código de barras no leitor e já está, na chegada sabia-se sempre quantos atletas faltavam.

Com o Vitor Capelas, desenhador do percurso

No geral foi uma tarde bem passada, bem acompanhado numa prova em que não me importava nada de ter participado como atleta. Se no ano que vem não fôr de novo vassoura, contem comigo como participante.

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