20130907_Lampas_Blog

37ª Meia Maratona de São João das Lampas ou…

Como é que na Meia Maratona, apelidada de “a mais bem organizada de Portugal e Ilhas” e “a mais complicada de Portugal e Ilhas”, dois ou três pequenos pormenores conseguem deixar, em mim, um sabor agridoce da mesma?

Antecipada por mim desde há algum tempo, desde a 36ª edição, para ser mais exato, esta emblemática prova de estrada era anunciada como muito bem organizada e muito difícil de realizar. Concordo com a primeira afirmação, e discordo da segunda mas, não esqueçamos o agridoce.

A prova, efetivamente, foi muito bem organizada, com toda a equipa de organização solícita e presente, desde muito antes do dia da prova.
Essa equipa, encabeçada pelo Fernando Andrade fez, dentro dos seus limites humanos e físicos, com que nada faltasse a quem participou, ou quase, praticamente, quase.

O apoio da população da Freguesia de São João das Lampas, foi impressionante. Imagino que não seja a Freguesia mais populosa de Portugal e Ilhas mas, estava toda a gente na rua. Haviam cadeiras e espreguiçadeiras, bonés e cabeleiras, todos a apoiar.
Chuveiros ligados a torneiras privadas, chuveiros com donos de torneiras a aumentar ou diminuir a pressão à passagem de mais ou menos atletas, a senhora do djembé, o senhor do cachecol do SLB que na realidade, tinha de se parar para ler o que tinha escrito, obrigado a todas e todos pelo apoio.
Os agentes da GNR presentes, muito educados e “divertidos” dentro da possibilidade do seu “cumprimento do dever”, a controlarem o fecho de estradas, e tudo o mais necessário, de uma forma, considero eu, exemplar, tendo em conta outros exemplos desastrosos que já presenciei em provas do mesmo tipo

Passando ao percurso, antes de voltar à organização… Atenção, quem conseguiu manter a concentração na leitura até agora, mantenha-se atento, caso queira, ou lhe interesse, pois o reverso da medalha virá também, eu logo no primeiro parágrafo disse “agridoce”, e este não é um relato de “palmadinhas nas costas”.

O percurso, difícil sim, mas acessível a todos os treinados e mentalizados. Quem corre em subidas em Barcarena, em treinos organizados pelo Miguel Pinho faz, efetivamente e como ele diz, “as Lampas sem problema”. E assim foi. Há ali UMA subida, e depois um monte de declives. Nessa subida, e de novo, em duas provas seguidas, não me senti bem.

Desta vez foi uma chamada indecisa ao muro + canavial. A prova começou às 17h00, almocei que se visse algumas horas antes e, embora não tenha sido um cozido à Portuguesa, não foi também massa “sozinha” sem mais nada.
Isso, conjugado com mais factores, stress incluído pois vêm mais mudanças a caminho, fizeram com que tivesse de “ir ali” espreitar umas coisas no 9GAG enquanto eu MECAG.

Nesse momento de indecisão do “vou ou continuo”, bem, optei pelo vou, e foi o melhor que fiz… Depois disso, foi o “bliss”, o “zen”, senti-me como dentro do Música no Coração, Julie Andrews no seu melhor, em São João das Lampas.
Ultrapassei alguns participantes, puxei aqui e ali, e encontrei a Mónica Falcão, com quem fui até ao fim da prova. Passei a Antónia, perguntei-me pela Elisete, surpreendi-me com a Elsa, a Sandy, a Eugénia e a Sónia à espera ali no meio do percurso. Antes, já a maioria dos amigos tinham passado por mim e perguntado se estava bem. Sim, estava e estive, correu tudo impecável mas o organismo prega-nos partidas, já se sabe.

Acompanhado então pela Mónica até à chegada, fizémos o espetacular tempo de 2h16 algures por aí mais minuto, menos minuto. Para estreia da Mónica numa Meia Maratona oficial, e logo esta com este percurso e este vento, foi espetacular, parabéns!
Para mim, foi aceitável, não ia bater recordes pessoais, não tinha recorde no percurso, embora levasse o tempo de 2 horas previsto, tendo visto que o previsto ia falhar, logo ali ao início, fui calmamente correndo.
A meditação possível, os obrigados pelo apoio, o corta vento, o pequeno objetivo de “são só mais estes metros”, o “é só esta ultrapassagem” e daí por diante e, a 3km do final ter o Ricardo Oliveira a ir para trás à nossa procura, obrigado Ricardo, estiveste lá, mesmo!

À chegada os amigos, melancia e água, medalha de finisher, camiseta de finisher e… Compasso de espera, a ver quem vinha mais, e a esperar a entrega dos troféus, consulta nas listagens de papel e…

Ver a Henriqueta Solipa a ir ao pódio em terceiro lugar no seu escalão, mais do que merecidamente, ver algumas outras caras conhecidas no pódio da geral feminina, e outras a irem ao pódio no seu escalão, ver o Armando Monteiro a ir vezes infinitas ao pódio também e, ver pessoas a serem chamadas para ir ao pódio, sem o deverem ser e… O sabor agridoce, as situações repetem-se, vezes demais diria eu.

Pancadinhas nas costas à parte, correu tudo muito bem e foi tudo muito giro, mas houveram falhas aqui nesta parte, do final da prova.

Os erros habituais da instituição que já nos mostrou e demonstrou como falha, e onde falha, que continua a fazer exatamente o mesmo, e que alguns de nós continuam a aceitar porque “não há mais nada”.

Falhas por exemplo no caso de a minha ordem de chegada, e a da Monica estarem trocadas, ela chegou à minha frente, pedi-lhe para passar à frente, para cortar o vento a mim, e eu apareço na lista primeiro? E não há sequer tempo de chip e tempo de prova nesta prova, há tempo de chegada, nada mais e ela, a Monica, estava bem à minha frente.

Falhas por exemplo em, participantes que fizeram o mini-percurso, e que não passaram o controle de chip lá onde ele era, km10 por aí, ficarem classificados no top 10 da classificação geral, e irem ao pódio no seu escalão?

Essa situação então, foi para mim o “escândalo total” e daria capa de revista se eu fosse na realidade o editor de alguma.

Pessoalmente, se fosse um dos não chamados ao pódio, ou se suspeitasse desta situação, iria inteirar-me da mesma, e pedir satisfações até ao fundo mas, é fácil, é só pedir os tempos de passagem no ponto de controle de chip, lá onde ele era, km10 por aí, e tudo se resolverá, penso eu.

Bem sei, os resultados são provisórios e a situação será corrigida oportunamente mas, tem mesmo se ser assim, sempre?

A história não é nova, e o único denominador comum que encontro, bem, deixarei aos CSI cá presentes a descoberta de qual é, para os que não souberem mas, e a pessoa que não foi ao pódio hoje, e que deveria ter ido, como é que ela ficará? E quem levou o troféu? Devolve à organização, e a organização envia por CTT para o verdadeiro merecedor? E o ramo de flores, como é? E a presença num pódio em tempo real, como é?

A situação vai mesmo ser apurada até ao final, ou só levamos algo até ao fim quando nos interessa directamente? Enfim…
Bem sei, podia eu ter posto o dedo no ar logo no momento, e avisado tudo e todos da falha mas, também não sou acérrimo defensor da moral e bons costumes, nem consigo discernir sempre, e imediatamente, onde acaba o certo e começa o errado, e se a pessoa em questão está ao meu lado, e eu a conheço, e ela é parte integrante da questão e fica onde está, caladam onde e em que é que fico?

Poderá dar-se a hipótese de ser cofrontado, depois de publicar este texto, com algo como “ah, porque é que não disseste nada na altura?”. Pois não sei porquê, talvez por estar gelado, cansado e mal disposto ou, não sei porquê, mesmo mas, estou a dizer agora, enfim… Poderia também ser mal-tratado pelos responsáveis técnicos do sistema de controle de chips, como já uma vez fui, vítima de bullying portanto e, só estou para me “chatear” até certo ponto, enfim, sou tão perfeito como o mais imperfeito dos seres humanos que conheço, eu próprio, e fui cúmplice de mim mesmo nesta situação.

Por fim, a falha em faltarem as medalhas de madeira para cerca de nove participantes no final. Os erros repetem-se. Considero eu.
Mas quem sou eu para tecer considerações, e dar conselhos, eu que tenho tantas falhas, confesso e concordo? Cerca de nove participantes, os últimos, os que fizeram mais esforço, os que mais sofreram, os que não levam medalhas porque “desculpe, já acabaram”? Como ficam? Ficam “na boa” ou vão-se embora o mais rápido que puderem?

Esta aqui, é de resolução fácil, pois considero que a organização, a partir desta dica e caso chegue aqui na leitura, contacte os participantes a partir do final da lista e facilmente “resolva a situação” de quem não a levou (a medalha) hoje, e acredito que os mesmos irão ficar agradecidos e tornarem-se Embaixadores da prova, enfim…

No final, o churrasco do Portugal Running, muita comida, bebida, sumos, cervejas, vinho, febras, costoletas, conversa, tempos, lesões, sapatos e chanatos, excelente grupo de voluntários na organização desta festa de final de festa mas, para mim, e até agora, o sabor agridoce mantém-se e ainda não saiu…

E portanto, vou acabar este relato com o habitual “porque a vida não é só corrida” entre aspas e com um sabor agridoce em mim…

Originalmente publicado no Facebook.

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