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2º Trilho das Dores, edição 2015

A minha terceira visita às Abitureiras para correr, desta vez num modo, digamos, diferente. Há umas largas semanas atrás, depois do Night Trail Run Páscoa nas Abitureiras, fui convidado a ser padrinho do 2º Trilho das Dores. Após discutir as minhas exigências com a organização, facilmente chegámos a acordo.

Os dias foram andando, muni-me de vassoura para a tarefa que me esperava, e arranjei vassouras para as senhoras que iam tratar dos percursos mais curtos.

Convidei alguns amigos especiais, como por exemplo o Praticamente Queniano a irem à prova, e a organização ofereceu inscrições em algumas edições das Escadinhas & Subidinhas. Participei activamente, dentro da minha disponibilidade, na preparação e promoção da prova que se adivinhava boa, é claro e fiquei alegre de, no dia anunciado, ver as Abitureiras cheias de caras conhecidas.

Se da primeira edição (ainda) não há relato, nem houve almoço, nesta edição vem relato e teve almoço, aqui vai ele.

Arranque cedo de casa, ainda o Sol não tinha nascido. A viagem com o Pedro Santos e o Joel Silva decorreu sem sobresaltos. Chegámos às Abitureiras e o nevoeiro era “a” presença. Embora o dia se adivinhasse quente, a camisa de flanela ainda dava jeito. Rapidamente levantámos os dorsais e atacámos sem piedade a farta mesa de pequeno almoço. Batata doce, pão, queijo, fiambre, café, fruta e até ginga em copo de chocolate compunham a mesa ao dispôr dos participantes.

Os participantes foram chegando, ora acompanhados pela Lua como a Armanda, ora em autocarros turísticos, como os Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria. Fomos tirando mais fotografias, bebendo mais cafés, o convívio habitual pré-prova, mais patente ainda por esta se tratar de uma prova fora do circuito do grande reboliço. A fila para o levantamento dos dorsais ia-se alongando, e a hora da partida estava a chegar, começa a repicar o sino da igreja e nós, ainda esperávamos pela partida.

Dado o briefing, ao som do badalo, vem a partida, arranquei com a Ana, vassoura dos 20km, atrás de todos os atletas do pelotão, ligeiro. Chegados à primeira subida, despedimo-nos e fui ultrapassando pessoas, tendo é claro o cuidado de perguntar em que percurso estavam a participar pois a minha “missão” seria acompanhar o último participante dos 35km, desse por onde desse.

Durante quase 16 quilómetros fomos juntos. Eu, a Sandra e o Carlos. Ora corríamos a direito, ora andávamos nas subidas, e iamos de rabo nas descidas. Haviam cordas de escalada (que eu não usei) e subidas de pedra e areia solta. Eu ia saltitando da frente para trás, incentivando ainda outros participantes dos 20km que íamos passando, ou que nos iam passando a nós. Nos abastecimentos (fartos), fazíamos paragens tipo fórmula um, cronometradas ao segundo, isto porque haviam objectivos a cumprir, e a minha missão era varrer os obstáculos do caminho para toda a gente chegar ao fim sã e salva.

Quiseram as circunstâncias que ao quilómetro dezanove, na separação dos percursos, a Sandra optasse (e bem) pelo percurso mais curto, a decisão já tinha sido tomada há uns quilómetros atrás, o Carlos já tinha seguido em frente e, embora ela estando acompanhada já de outro amigo da prova mais curta, fui andando com ela até às placas. Despedidas feitas, paragem no abastecimento daí e, toca a correr.

Tinha uma missão secundária, e ia tentar tudo o que estivesse ao meu alcance para a conseguir alcançar. Fui correndo. O calor da frigideira Ribatejana ia-se abatendo sobre mim mas, estava bem hidratado, não me doia nada e conseguia andar forte, à procura do próximo último participante.

Foi a Carla, a feliz contemplada, encontrei-a perto da entrada de um trilho aberto especificamente para a prova. Fizémos os últimos 10km juntos, praticamente sem correr. Passámos na Praia da Nela (assim, tipo Tróia), e infelizmente desta vez não passámos por dentro do rio, como no ano passado. Fomos andando e gerindo o esforço até ao final, onde fomos recebidos em apoteose pelos amigos que ainda nos esperavam.

Estava o Joel e o Pedro, chegados à pouco, a Hélia e o Kalú à nossa espera para almoçar, a Pipi e o Joel José e claro, o Fernando, o Rui, a Teresa e os outros elementos do staff ainda presentes.

Troféus entregues, para mim um prémio especial, de agradecimento de apadrinhamento da prova (que manteve o nível elevado, como seria de esperar) e ida para o “refeitório”. Deixei o banho para depois, logo se via, que não estava assim com tanto calor.

Almoçámos juntos, num almoço programado desde o ano passado mas adiado no tempo até este segundo Trilho das Dores. Comi sopa da pedra, bebi água e comi pudim do Joel José, feito com leite a ferver a 300ºC na noite anterior até à exaustão.

Almoço terminado, de regresso a casa, as despedidas e o até breve, porque é sempre bom voltar onde somos bem recebidos. No carro, reinava a paz. Uns mais pensativos, outros mais assertivos, todos estávamos contentes com o resultado final e com a experiência.

Para mim, esta foi mais uma a juntar às experiências que vou coleccionando e guardando na gaveta das boas recordações. Obrigado ao Trilho das Dores pelo voto de confiança, espero ter estado à altura de ser a vassoura da prova principal.

Obrigado ao João Filipe Figueiredo pela foto de cobertura.

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