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33,33km nas Abitureiras

Sem conseguir fugir ao teor e associação religiosa da data, da distância e do nome do evento, nesta primeira edição do “Night Trail Run Páscoa” nas Abitureiras (Santarém) a distância da prova maior foram 33km…

Inscrito há largas semanas, o dorsal #1 estava reservado para mim. De forma a fazer um remake do “Trilho das Dores” de Setembro, a Sandra aceitou (de novo) o desafio, ficando com o dorsal #2 para esta percurso que, se previa inicialmente com trinta quilómetros.

O arranque à tarde, de casa (a prova era às 20h00) com o Luís Trindade e a Isabel Barra levou-nos ao já conhecido campo de futebol que servia de estacionamento para as viaturas dos visitantes. O processo de levantamento do dorsal decorreu sem dificuldade, e muitas eram as caras conhecidas presentes. A hora da partida chegou, não sem antes haver um “fandango”, orientado pelo Rancho Folcórico das Abitureiras, e dançado pelos padrinhos da prova, Ana Duarte e Omar Garcia, e por mim e pela Sandra, a desafio do Rui Brilhante (da organização).

Data a partida, às 20h10, eu e a Sandra (que tinhamos combinado ir juntos do início ao fim da prova) entrámos em modo “ninja trail runners”. Tinhamos (cerca) de 30 quilómetros pela frente e como “alvo” fazê-los a 9 minutos por quilómetro, menos um minuto por quilómetro do que em Setembro.

Arrancámos ainda de dia, o calor ainda se fazia sentir, mas rapidamente começa a cair a noite, ligamos os frontais e vamos seguindo, sempre em frente (exceptuando nas curvas). Subidas houve onde ela esperou por mim, paredes houve onde eu esperei por ela, a descer, todos os Santos ajudavam e a Lua ia aparecendo, até toda a plenitude de uma Lua cheia sem nuvens a encobri-la.

O percurso, o terreno e os abastecimentos

O percurso e o terreno, bastante corríveis, com algumas partes mais técnicas para darem aquele gostinho especial à prova, na minha opinião um percurso equilibrado e rápido, bom para quem não gosta de grandes alpinismos (como é o meu caso).

Durante grande parte dele esteve conosco o Manuel, que conhecemos nessa noite, dorsal #62. Depois do penúltimo abastecimento, já cansado, ficou para trás não sem antes falarmos acerca do assunto e se ficava realmente bem, sozinho ali, ficou e voltámos a ver-nos no final.

Os abastecimentos, o anunciado e esperado, depois da passagem pelas Abitureiras em Setembro. Desta vez, havia ainda mais variedade, e quantidade, enunciando assim por alto: Morangos, laranja, bananas, marmelada, tomate, sal, açúcar, mel, tostas, salpicão, queijo, água, sumo, cola, isotónico, vinho tinto, folar e ainda, realmente, surpresas inesquecíveis.

No entanto, fomos para correr, e não para comer, e assim todas as paragens nos abastecimentos foram controladas ao minuto, tipo fórmula um (da “liga dos pobres”, pois ficámos cá atrás na classificação). A nossa média de paragem nos abastecimentos foi de quatro minutos em cada. Pessoalmente, não tinha fome nenhuma, abastecia de água o bidon que levava, bebia mais (bebi também um pouco de isotónico), e comi durante toda a prova uma fatia de folar, uma fatia de tomate e duas rodelas de salpicão, chegou para mim.

Num dos abastecimentos, uma das surpresas. Preso, num bidon, um poster gigante com a cara de um  “runner” familiar, com umas orelhas de coelho. Foi-nos dito aí que haveriam mais surpresas para a frente, para estarmos preparados…

No abastecimento supresa, em “Tróia”, bem nos chamaram para lá ir comer e beber mas, já iamos no quilómetro 28, algo assim, cada vez mais focados e, até foi a Sandra a sugerir que não parássemos por lá, não precisávamos nem de comida nem de água, e seguimos fortes.

De repente ela lembra-me “olha, devia ser ali que estava a outra surpresa”, sempre a correr, discutimos se voltávamos para trás ou não e optámos por não o fazer, e a surpresa estava lá mesmo, soubemos depois, e perdemo-la, a ganância, a ganância de não ficar em último na prova, é assim mesmo, faz perder supresas.

No quilómetro 31 (ou 32) aparece uma “subidita”. Já tinhamos passado duas paredes e, iamos tão focados na subida (ultrapassámos três participantes nessa zona) que nem démos por uma placa para virar à esquerda, isto no meio de uma subida. Chamaram-nos, voltámos para trás a praguejar por irmos distraídos (e cansados e entretanto já com frio, claro), virámos à direita (porque vinhamos a descer) e passámos de novo esses três participantes, que demonstraram um verdadeiro “espírito do trail” ao chamarem-nos.

A chegada

Já nas Abitureiras, a chegada ao pavilhão. A speaker de serviço anuncia a nossa chegada, são-nos dadas medalhas, os amigos esperam-nos e aplaudem. Tiramos fotografias e tiram-nas a nós. O nosso tempo, pouco importa, a nossa cadência, isso sim, 9 minutos por quilómetro, melhor só se fôssemos um relógio atómico. A distância, 33,33 quilómetros (os 333 metros extra foram na subida em que nos enganamos), curiosidades de Páscoa…

No final, já tinha alguma fome mas não fui logo comer, reparei antes disso na saca de batatas no palco, com um papel colado, 62. “Ó Sandra, o dorsal do Manuel era o 62 ou o 64?” e ela “O 62 porquê?”. E não é que ele tinha ganho, num sorteio, uma saca de batatas? Isso tinha sido bem era no início da prova, 33 quilómetros com uma saca de batatas às costas!

Quanto a nós, tinhamos também mais uma surpresa à espera, e depois de a recebermos, fomos “atacar” o caldo-verde, bifanas, ovos cozidos e água que estavam disponíveis na chegada, e que faziam parte do jantar oferecido pela organização aos participantes.

Antes do arranque para casa, as despedidas e a promessa do regresso, pois em Setembro há mais “trail running” nas Abitureiras, desta vez de dia e eu é claro, estou lá de novo, Sandra, vamos a isso?

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