Ultra Maratona Atlântica 2013

A primeira, a UMA, poderia ser a UNA, por ser única…

Esta história que relato, começou em 30 de abril de 2013 às 23:14 da noite, dois dias depois da Maratona de Madrid, cuja história poderão ler aqui neste endereço. Já passaram uns meses, e esse dia foi realmente relevante isto porque… Tudo na vida é relevante e está interligado. Continuemos…

Ainda em modo “ressaca de Maratona” nesse dia, e após ler no Facebook, o Nuno de Sousa Gião a dizer algo como “Acabei de me inscrever na UMA – Ultra Maratona Atlântica, mais alguém vem?” pensei… “É pá, já ouvi falar disto, soa-me bem, vamos lá embora!” E assim foi, ficámos a dois dorsais de distância na lista de inscritos na prova. Falhou uma foto em conjunto nesse dia, o da primeira UMA mas, já temos outras tiradas e da próxima vez que nos virmos, não falhará essa foto comemorativa, do dia em que nos tornámos Ultra-maratonistas!

A UMA, “coisa suave”. Oficialmente, 43km a correr entre Melides e Tróia, em 28 de julho de 2013.

Na prática, foram praticamente 44km. Não necessariamente por andar para trás e para a frente, mas sim pelos desvios à procura do melhor sítio para correr, ou para tentar fazê-lo já que de corrida, destes 43km oficiais, poderia descrevê-los algo como: 15kms a andar, 15kms a andar alternado com corrida (mais pareciam as séries de 100 metros dos treinos do “Gang PR”) e finalmente 13kms a correr, aí sim, como deve de ser, salvo seja, dentro da minha velocidade habitual e possível. Não foi também esse quilómetro extra que fez a diferença, explico então.

Já tinha lido tudo, ou quase tudo, e ouvido tudo, ou quase tudo, o que havia a ler e ouvir sobre esta prova, onde me iria estrear como “Ultra-maratonista”. Aqui atente-se nas aspas.

“Ultra-maratonista”

Quantos dos que me lêm neste momento se lembram da primeira vez que conseguiram correr, ou fazer uma prova de atletismo, de 10km, sem parar?
E os que já o fizeram, lembram-se desse sentimento de vitória?
E os que nunca o fizeram, porque esperam para o experimentar? Se precisarem de ajuda, sabem com quem falar.
Isto só para dizer que, o sentimento de vitória está sempre à distância dos nossos passos e, se quisermos lá chegar, está ao nosso alcance prepararmo-nos para o fazer.
Claro, com conta, peso, medida, preparação, sem nos aleijarmos (muito) pelo caminho, de preferência.

Voltando à UMA

Já tinha lido blogs, lido reportagens e visto fotografias. Lido e ouvido relatos na primeira pessoa, um bocado por todo o lado.
Já tinha ouvido pessoas amigas e experientes, a falarem do horror da areia no início, da inclinação da praia, da maré, do vento, do sol, do calor.
Engraçado… A prova é dificílima, efectivamente, e todos me disseram isso mas, por outro lado, quase tudo o que li e ouvi de “mal” e “horrível” foi feito por repetentes, que este ano lá estavam de novo…

Independentemente de fazer a prova calçado, descalço, ao pé coxinho, a andar, a cantar, a praguejar, a pensar desistir, a pensar ir atrás da duna e montar o mini-biombo… Com fome, sempre com fome, a pensar em frangos assados, a contar pulgas da areia e a analisar o engraçado que é que os “bichinhos” se alimentam de matéria orgânica abandonada e em decomposição na zona da rebentação, a desviar-me de ondas ou deixar-me molhar por elas, a ver as algas, a pensar nas algas e naquelas praias, e no quão bom seria estar ali a apanhar um solzinho em vez de estar a correr (ou a fazer a prova, pronto digamos assim já que passei das cinco horas de conclusão), consegui controlar-me. Quem ler alguns dos meus relatos, anteriores, a grande maioria das corridas costumam ser exercícios de introspecção. Já chorei depois, já chorei durante, desta vez chorei antes, daí se calhar, não ter chorado nem durante, nem depois

Na verdade, seria difícil chorar durante e, chorar depois daquilo. Não haviam e não há razões para isso. A UMA, embora tenha sido, até agora o meu desafio “físico” mais forte de sempre, mesmo depois da “picada da abelha”, foi o melhor também.

É realmente uma prova de superação física e psicológica extrema, dentro dos meus modestos parâmetros é claro.

Eu que costumo pensar em tudo e mais alguma coisa enquanto corro, nesta prova o meu pensamento geral foi “Bolas, isto nunca mais acaba, porque é que vim, porque é que me inscrevi, correr na areia, está quase a acabar, faltam 15km, faltam 25km, nunca mais acaba, porque é que vim, vou ficar por aqui, nunca mais acaba, estou a andar de novo, ultrapassei este, este ultrapassou-me, vou tirar a areia dos sapatos, olha aquele a tirar a areia dos sapatos, vou tirar a areia dos sapatos, vou contar as pulgas da areia, olha mais lixo na praia, olha um pescador, vou tirar a areia dos sapatos e correr 500 metros, palmas, obrigado pessoal, obrigado, vou correr mais 500 metros, vou aproveitar a boleia, vou dar uma puxadela, vou voltar atrás e dar uma puxadela, isto nunca mais acaba, porque é que vim, porque é que não consigo pensar em mais nada excepto quantos quilómetros faltam, vou molhar os pés, não posso molhar os pés”. Como dá para ver, modo minimalista repetitivo para acabar rápido com ela, a UMA.

Pensei no entanto nos meus amigos lutadores todos, e não só nos lutadores mas fixei-me neles para chegar ao fim, claro. Nos que iriam conhecer a sua “casa” nesse dia, nos que irão conhecer a sua “casa” daqui a uns meses. Nos que se preparam para a sua primeira Maratona de estrada a seguir ao verão, e no que irei fazer nessa altura, onde estou agora e onde estarei. Se calhar o que vou mesmo fazer nessa ocasião é esperar por eles no final ou lá perto. Vou escolher um para o acompanhar nos últimos 10km e, caso ele queira ir com ele. Depois, ficar na meta, à espera de todos os outros amigos que vão realizar esse primeiro Grande passo que é a Maratona. Daí para a frente, é sempre a andar, quem faz uma Maratona de estrada, está pronto para tudo mas, recomendo a todos que queiram entrar por outras andanças, que o façam primeiro mas, isso é só a minha opinião.

Quanto à UMA, ainda e de novo, fosse como fosse, caso a terminasse iria tornar-me “Ultramaratonista” nesse dia, e fui. Fui lá, fiz a prova, em tempo legal, e terminei, tornei-me oficialmente “Ultra-maratonista” e um “sand-raider de Melides-Tróia”, mais nada.

Os agradecimentos

Agora, e por por fim, os agradecimentos. Não irei conseguir, com certeza nomear todos os presentes neste dia, nem toda a gente que me desejou boa sorte no período anterior, via Facebook ou onde fosse, nem que tenha perguntado a seguir como correu mas, assim de repente, consigo elencar alguns…

Antes, durante e depois, a Elsa Fonseca, claro, number one.

Antes, durante e depois, e logo a seguir, a Carla André e o Miguel Pinho, “Vuvuzela team for the win”.

Também no mesmo seguimento o Heitor Gomes e o Nuno Torres, que foi um prazer conhecer, finalmente, ao vivo, o Nuno, o Heitor já conhecia.

Companheiras e companheiros durante a prova, os mais marcantes foram a Andreia Barros de Oliveira, que entrou para a minha “Galeria de Lendas”, o Miguel Azevedo, o Damião Flamenguista, a Mafalda Nunes e as duas “sand raiders” Paula Santos e outra, cujo nome ainda não descobri mas que vou descobrir, que me obrigaram, literalmente, a apanhar o “combóio” dos últimos 13kms e me deram a força necessária para ir “a acelerar” literalmente, até ao fim.

De referenciar também, e durante, o Pedro Coelho e o Eduardo Santos, que conheci na quinta-feira passada, a história deu capa de revista e relato aqui.

O apoio ao vivo e em três dimensões dos não participantes este ano ainda Marta Andrade, Daniel Ramos, da placa do “faltam 25kms”, Gabriela Freitas e Joana Saraiva, Ana Guimarães e Inês Filipa Pereira, Ana São Bento, Rute Fernandes, Alfredo Falcão, Antónia Furtado, Manel Couves, e do Manuel António, na sua faceta de fotógrafo desta vez.

Desde manhã e durante a prova, por mensagem ou instagram, Gomes da Silva, Natesh Pedro Figueiredo, Ricardo Oliveira e Gilia Morais.

As fotografias

 

Neste álbum, algumas fotos foram gentilmente cedidas pelo André Noronha, Damião Flamenguista, Marta Andrade e Ana São Bento, obrigado pelos momentos que ficam assim digitalmente gravados, porque a vida não é só corrida ;)

Publicação original

Esta história foi publicada originalmente no Facebook. Podes ver a fotografia sozinha ou o álbum completo, com os respectivos enquadramentos de comentários nessa plataforma.

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