VI Meia Maratona na Areia

VI Meia Maratona na Areia

Comecei esta prova por nem a querer começar, não estava nos meus planos deste ano. Tinha falado, há uns tempos, com uma amiga que se queria experimentar nas corridas na areia, que iria com ela. Ela tinha (e tem) receio de correr na areia. As pernas, os pés, as costas, o declive, a areia, os receios, basicamente… Ela inscreveu-se e eu não, como a coisa tinha ficado no ar, uma falha de comunicação fez com que acontecesse dessa forma. Assim, e para honrar o compromisso inicial, eu inscrevi-me para a acompanhar e ela, acabou por não ir. Embora a coisa tenha ficado falada e sanada entre nós, e tenhamos muitas outras oportunidades de correr juntos, é esse tipo de coisas que me faz pensar sempre no destino.

Destinos à parte, já tinha combinado uma boleia com o Tartaruga Solidária Rui Duarte, que se ia estrear na areia também. Arrancámos cedo de Lisboa (somos praticamente vizinhos) e chegámos com tempo de sobra à zona da prova, estacionando bem perto do secretariado, onde levantámos os dorsais com rapidez e nos deu tempo de ver todos os amigos e amigas a chegar.

O convívio pré-prova, foi pautado pela habitual boa disposição entre pares, bem como a catadupa de fotografias e conversas sobre temas variados, entre venda de camisetas técnicas, técnicas de lavar a loiça, e outras coisas. Foi também partilha de receios e expectativas, haviam bastantes estreantes na prova e na areia e, correr na areia é diferente de correr na estrada, ou em trilhos, ou na passadeira, cada meio, é um meio.

Antes de começar a prova no entanto eu, tinha uma “sombra” a pairar sobre mim. Um assunto pessoal de última hora, que me fazia pensar se não devia pegar em mim e arrancar de imediato para Lisboa mas, como não se devem tomar decisões de cabeça quente (por vezes faço-o mas, tento evitá-lo), acabei por decidir ficar, e despachar a prova o mais depressa possível, dentro do meu “depressa possível”.

VI Meia Maratona da Areia - Os sapatos de areiaUtilizando os sapatos que utilizei na quinta edição, e na UMA do ano passado, e que usarei de novo na UMA deste ano se tudo correr bem, ataquei a areia que estava bem lisa e confortável para correr. Desta vez, fui leve. Em vez da mochila de hidratação, levei somente o cinto com dois bidons de 600ml com isotónico mas, nem era preciso levar (não os bebi todos em prova) nada pois os abastecimentos nesta prova são mais do que completos, mais sobre isso mais adiante.

Para lá, com o vento pelas costas, não me deixei levar pela emoção, era preciso gerir o esforço e guardar alguma força para regressar, embora tenha “dado tudo”, guardei ainda um bocado para o final. Se no ano passado o vento no regresso me tinha surpreendido ao dar a volta, este ano ia sem surpresas. Para lá, foram então 63 minutos, nos abastecimentos só apanhava uma água, bebia logo o que tinha a beber, deitava a garrafa no caixote e seguia. No segundo abastecimento, como não bebi logo a água, levei a garrafa vazia até ao ponto de retorno. Infelizmente pelo caminho, outros participantes não quiseram seguir com o peso da garrafa vazia (nem das embalagens de gel vazias), e iam-nas deitando pelo caminho. Ainda pensei parar para apanhar mas, iria prejudicar-me, e não se pode ser sempre altruísta.

No regresso, foram 66 minutos. O vento, tal com previa, soprava forte, mas ia mentalizado para ele, focado no piso e sempre a manter a mesma cadência. Os sapatos sem dúvida que ajudam. Como são de rede, a pouca areia e água que atravessava entrava e saia com facilidade e assim pude ir sempre a direito, sem fazer uma curva como via outros participantes a fazer. No último abastecimento, o mais “farto” da prova, nem parei. Deverei ter ganho cerca de 10 ou 15 posições nessa altura pois parecia um festival de verão, com o acampamento de pessoas a comer e a beber nesse ponto. No ano passado parei, este ano não. Veio-me à cabeça o monte de dicas de um monte de gente e, se queremos resultados, temos de fazer esforços e um deles é resistir à tentação de acampar nos abastecimentos. Fui seguindo, a sentir-me forte e bem até chegar ao quilómetro 18, onde o vento soprava ainda mais forte e consegui recuperar ainda mais algumas posições.

Na chegada, o grupo Run4Fun pouco antes da meta dava apoio, e as Tartarugas Solidárias mesmo em cima da meta davam mais apoio ainda, transformando a chegada em algo apoteótico e merecido, obrigado a tod@s. Nessa zona, esperei ainda dentro do “paddock” pelas outras amigas e amigos que tinha passado, e que vinham a delirar com a prova, no geral todos adoraram e eu, adorei repetir. Falei também com o Helder Baptista, que tinha conhecido na Golegã e que, por coincidência ficou com o dorsal da amiga que eu ia acompanhar, o Mundo é mesmo pequeno.

Neste abastecimento final, há de tudo, tal como tem havido em todas as organizações da Associação Desportiva Mundo da Corrida que tenho visto. Batatas fritas, sumos e águas (com e sem sabor), bolachas, presunto, salpicão. Aí sim, fiquei com o troféu na mão a comer batatas fritas, presunto e a beber água, feliz com o sentimento de “dever cumprido e tempo batido”, depois de já ter feito um telefonema e saber que, o sentimento de urgência que no início da prova me dizia para ir para Lisboa já não era tão urgente assim, e que tudo estava bem, tendo feito eu, portanto, bem em ficar.

Depois disso, convívio com as Tartarugas Solidárias e amigos, e regresso para casa, de novo com o Rui, a quem agradeço de novo, e agora por escrito, a boleia e a companhia. Perto do final do rescaldo, ainda bem que fui à prova, é mesmo à porta de casa e é agradável de fazer. A Costa da Caparica não são só torres de betão, a zona “lá para a frente” é muito tranquila e o clima da prova, é o que mais se aproxima à UMA, efectivamente.

Quanto ao tempo que fiz na prova este ano… Há quem não ligue aos tempos que faz nas provas. Eu, confesso, ligo, embora não seja obcecado com isso, ligo ao tempo que faço e, caso sejam provas repetidas, tento melhorar o anterior. Por vezes consigo e, este ano fiz menos 18 minutos do que no ano anterior e fiquei com a sensação de que ainda podia ter feito um bocadinho melhor, mas optei no entanto, por ser conservador, porque a vida não é só corrida ;)

 

P.S. – Obrigado ao André Noronha por algumas das fotos aqui apresentadas.

3 comments

  1. Viva,

    descalços, aprendemos a correr com pasos muito rapidos e muito curtos (180 até 200 bpm)

    durante esta prova percebi que esta teoria era ainda mais importante na areia, penso que corri a prova toda com 200 bpm

    vi muitas pessoas a gastar tanta energia…

    parabens pelo personal record

  2. Grande relato João, sem duvida que é sempre um prazer ler as partilhas que fazes das tuas provas, escreves com alma e acredita que aqui a familia gosta bastante e por vezes as tguas cronicas ajudam-nos.

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