20140921_24hpt__00_ivete__13949_10204730945609312_1619583808968626730_n

24 horas de Portugal, dorsais 8, 88 e 888

Inscritos a 6 de maio, as 24 horas de Portugal esta prova desde a hora zero que me causou curiosidade. Comecei por me inscrever a mim e à Elsa como equipa de dois, mas depois passei-nos para individuais. Dessa forma, iriamos poder dar voltas a três (a Sara iria, e foi conosco) ao percurso de 2.122 metros em Vale de Cambra.

Esta não foi a minha primeira prova de 24 horas. Já anteriormente tinha participado numa prova desta duração, em BTT e equipa de quatro mas, a correr, nunca, e quis aproveitar desde o primeiro minuto para aproveitar entrar na história desta primeira edição.

Os meus treinos têm tido muitas subidas, e tenho feito poucos treinos longos a direito, específicos para esta prova só fiz um, embora é claro tenha vindo a aumentar a “carga” gradualmente. No entanto, reparo que a minha resistência tem aumentado grandemente. Reparo também que, nas Maratonas que se avizinham, estou “tramado” a nível de tempo, nunca mais lá chego, e não me sobra muito tempo para mudar o tipo de treino portanto, vou-me deixar ficar como estou.

À Elsa, consegui “convencer” facilmente a participar também, falando-lhe bem do evento e transmitindo, ao longo destes meses que o antecederam, toda a confiança que fui capaz, bem como todo o feedback que ia recebendo, falando dos participantes, da festa que ia ser este fim de semana de corrida, e foi.

20140919_camisolas

Pouco tempo antes da prova, e com o receio a aumentar, decido dar um significado especial a isto tudo, tornando público o objectivo de voltas a dar, bem como dedicando as voltas que ia dar a várias “camisolas”, associações e instituições, doando dinheiro ou trabalho voluntário às mesmas. Desafiei a empresa com quem colaboro a participar também e alguns amigos e amigas, assim que souberam da ideia decidiram entrar na empreitada, participando cada um à maneira das suas possibilidades nas voltas dadas. A Elsa e a Sara, é claro que também participaram, e decidiram com as suas voltas dadas com a camisola dos Ronhonhós Running Team apoiar a Associação Acreditar.

As instituições

As instituições e associações apoiadas foram estas, sem nenhuma ordem em especial:

Comunidade Vida e Paz, Associação Acreditar, Liga Portuguesa contra o cancro, SOS Animal, Centro Social e Paroquial de Santa Catarina, Bombeiros Voluntários de Setúbal, Operação Nariz Vermelho, Associação Laço e Associação Orientar.

E quem as apoiu foi, também sem nenhuma ordem em especial:

Joana, André, Paulo, Ana e Pedro, e.near, Nuno, José, Natália, Cristina, Pedro, João Emília, Nuno e Miguel.

Obrigado a tod@s, do fundo do coração.

Sacos preparados, com um pouco de tudo

Se a logística de dois é complicada, a logística de três (sendo o terceiro um bebé com pouco mais de nove meses) ainda mais. Com sítio para pernoitar marcado, por causa da Sara e das condições que um bebé de colo requer, acordámos às seis para a viagem, carregámos o carro e pelo caminho parámos para a recolha de um nariz vermelho.

20140921_24hpt__06_IMG_2191A viagem decorreu sem incidentes e, quando chegámos a Vale de Cambra fomos directamente ver onde era o Parque Urbano e à residencial onde iriamos ficar, medir a distância, acessibilidade e acessos. Mudámos de roupa, à pressa, e fomos levantar os dorsais, chegando à zona da partida pouco menos de uma hora antes da prova começar. Eu, que gosto de chegar sempre a tempo, estava um bocado “pilha” mas, ver tantas caras conhecidas, e ser recebido simpaticamente ajudou a relaxar um pouco.

A organização decidiu presentear-nos com uma pequena graça e, tinha impresso para a Sara um dorsal, com o nome dela, a equipa e o número 888, o da Elsa o 88 e o meu o 8. Impecável, estes pequenos mimos, fazem a diferença. Na zona da partida, bastantes caras conhecidas, e outras que fui conhecendo ao longo das 24 horas. Optei, na prova, por ter os dados móveis do telefone desligados. Assim pouparia bateria e evitaria distrações. No entanto, na zona de restauração havia Wifi gratuito, o que permitiu ir colocando algumas fotografias no instagram, evitando no entanto o Facebook e as distrações inerentes. Durante toda a prova fui também sem auscultadores nem música a tocar, é aproveitar para meditar, pois foram muitos minutos de solidão total ali pelo meio também.

Voltas 1 à 12

Dada a partida, na primeira volta fomos os três juntos, eu, Elsa e a Sara. Com a tshirt dos Ronhonhós Running Team, ora a correr ora a caminhar, fizemos juntos um reconhecimento total do percurso. Avizinhavam-se várias voltas dadas de carrinho de bebé, e era preciso perceber se haveriam pontos onde a progressão seria mais complicada e, eles estavam lá. Haviam três pontes de madeira que implicavam cuidado redobrado a subir e a descer, e duas zonas onde o percurso saia do terreno habitual de pedra e terra batida e passava a terra e relva. No entanto, nada de extraordinário a nível de dificuldade, conforme previsto embora se chovesse, caso ficasse enlameado, talvez a progressão fosse pior mas, logo se veria.

20140921_24hpt__07_IMG_2194Terminada esta primeira volta em conjunto, seguimos então separados cada um no seu ritmo, embora a Elsa e a Sara fossem aqui juntas, no seu ritmo, diferente do meu. Parámos para almoçar juntos, e segui de novo, tendo que fazer a minha primeira paragem das 24 horas no WC. No “recinto” do evento haviam lavabos sempre limpos, com papel higiénico, chuveiros à disposição portanto, nada de preocupações com isso. Segui, ultrapassei as Ronhonhós e, na segunda ultrapassagem, já perto da hora do lanche da Sara e quase na hora da mudança da minha camisola, levei eu o carrinho nessa volta, a correr “bem”, até nos reencontrarmos na zona da alimentação.

Aí, a Elsa e a Sara ficaram a lanchar, e eu fui ao carro vestir a segunda camisola do dia. Nesta altura, estava eu com 12 voltas e cada uma das Ronhonhós com 6 voltas.

Voltas 13 à 22

20140921_24hpt__12_IMG_2218Quando comecei a volta 13, já com a camisola da e.near vestida, comecei-a devagar, e aproveitei como sendo uma recuperação ligeira das primeiras doze.

A Elsa e a Sara optam então, depois dessa volta, por ir até ao quarto da residencial para a Sara dormir uma sesta, e eu fiquei no recinto, às voltas. Nessa altura, saiu a aletria para os atletas, ora em prato para a refeição, ora partida em cubos para comer nos intervalos das voltas.

Depois de alguns pedaços de aletria, continuei às voltas até que, no ponto mais distante da zona de suporte, aparece uma nuvem no céu. O dia estava quente (venho de novo com bronze de runner desta prova), e de repente uma tempestade. Não foi um aguaceiro, nem uma chuvazita, foi uma Tempestade, com T maiúsculo.

Comida sempre à disposição

Durante todo o evento, esteve sempre à disposição dos atletas tomate com sal, laranja, batatas fritas, bolachas maria, banana, melancia, guaraná, cola e água. Quase sempre havia aletria, massa, carne, sopa, café e sandes de presunto ou atum. Durante uma boa parte do tempo também, a Herbalife esteve a fornecer bebida isotónica aos participantes.

Pensei no que faria, cheguei à zona de suporte aos participantes, entrei na tenda, e sentei-me numa cadeira de madeira, ensopado até aos ossos, a pingar. De manga à cava, calções, camisola de alças e pala da Compressport, fiquei ensopado da cabeça aos pés. O carro, onde tinha toda a roupa seca, estava a cerca de 500 metros mas nem valia a pena pensar em ir mudar de roupa e voltar, pois a chuva (e a trovoada, e o vento) não paravam. Meditei então, um pouco. Fechei os olhos durante cerca de 30 minutos absorvendo os sons que me rodeavam. Abertos os olhos, a chuvada tinha-se transformado em aguaceiro e o Sol praticamente escondido dizia que a noite estava à porta. Faltavam ainda quatro voltas com a camisola da e.near e optei por as fazer logo ali. Na pior das hipóteses ia demorar 80 minutos, ataquei.

20140921_24hpt__16_IMG_2227Terminei as voltas e falei com a Elsa. A Sara estava a acordar e das duas uma, ou vinham ter comigo, ou ia ter com elas, a levar o resto das “coisas da Sara” à residencial. Foi isso que optei por fazer. Para não arriscar outra tempestade, com elas “por ali abaixo” de carrinho, levei o jantar de atleta para a Elsa, saí do recinto, cheguei ao carro e mudei somente o topo (vesti ou tshirt, um boné e o corta vento) e fui ter à Pensão Bastos onde elas jantavam com o casal responsável pela Residencial, todos alegremente na cozinha. Ofereceram-me jantar e o que precisasse, agradeci e fiquei por lá um bocado, tomei um Recovery Plus e voltei para o recinto, ainda tinha nos meus planos muitas voltas a dar.

Voltas 23 à 32

De volta ao recinto, tirei a fotografia combinada com o cartaz para a Ana e o Pedro (era para ser nas voltas 33 à 42 mas algo me dizia para o fazer logo ali), e já com a camisola das Tartarugas Solidárias (que já tinha vestido na troca), comi rapidamente um bocado de esparguete à bolonhesa, acompanhado de um clone de Ice Tea de pêssego (eu que nem costumo beber refrigerantes) e voltei às voltas, já noite escura. Comecei-as, e fui seguindo, na minha velocidade estonteante habitual.

Tinha planeado, para essa noite, descansar o mínimo possível. Estava bem das pernas e dos pulmões, e contava fazer tudo seguido até à volta 42. Com alguma fome (tinha jantado pouco), parei cerca da meia noite para comer uns bocados de marmelada, umas bolachas maria e um café. E então, o cataclismo estomacal. Alguma destas coisas, em combinação talvez com o isotónico da tarde, de uma marca e modelo aos quais não estou habituado, isso junto com o cansaço, a molha que já tinha apanhado, a potência da marmelada (que era óptima) e a quantidade dela que comi de uma vez e a acidez do café…

Evitar experiências alimentares

Erro de principiante. Não experimentar alimentação nem hidratação nova em dias de prova. Não mexer em fórmulas de sucesso comprovadas. Repetir esta máxima até à exaustão… Agora percebo porque é que o vencedor levava os seus próprios abastecimentos, estudados ao pormenor, ao nível da marca da água que bebia.

20140921_24hpt__19_24h__10516583_10204726396295582_4298558054121485429_nFoi o descalabro total. Sou passado “lá ao fundo” pela Ivete e o Pedro, que me perguntam se estou bem, respondo que vou a andar e que estou ligeiramente indisposto. Não foi bem isto mas, não quero ser explícito… Lá fui, a passo até à zona do WC, entre vómitos e cólicas. Consegui chegar à casa de banho, de onde saí branco e gelado e, voltei à pista. Cada passo, cada vómito, nunca tal me tinha acontecido, embora já tivesse ouvido falar disto. Partilhei um bocado de uma volta com a Carla André (vencedora da Geral feminina) e continuei a andar, devagar.

E continuava, cada passo, cada vómito. Na sua última volta, a Ivete e o Pedro lá me rebocam até à chegada, a bom ritmo. As pernas, as minhas, estavam frescas mas o estômago que coisa. Na meta, umas fotos, e lá continuei com as voltas, a ver a vida mal parada. Cada uma das últimas quatro voltas já estavam a demorar quase meia hora. Não tinha rebuçados, estava a dar-me sono e não conseguia beber café, nem água estava a conseguir beber. O anti-ácido que tinha estava no carro, se fosse ao carro já não voltava mas, lá consegui terminar estas voltas inteiro.

Optei então por ir mudar de roupa e avaliar a situação. No carro, mudei a roupa toda finalmente. Depois da molha da tarde, não tinha mudado as meias nem as sapatilhas. Embora as meias sejam de qualidade e aguentem bem maus tratos, não há milagres, e se continuasse com elas calçadas, ia ter problemas nos pés, já estavam a começar a assar. Tinha também uma ligeira assadura na zona das cuecas (foi a minha única assadura durante a prova), mas zero bolhas ou problemas de unhas.

Mudar de roupa

Numa prova onde seja permitido mudar de roupa durante a mesma, fazê-lo ao mínimo sinal de desconforto. Isto aplica-se especialmente a meias e sapatos, mesmo usando creme NOK para proteger, chega a um ponto que, não chega. Repetir este mantra 100 vezes.

De roupa fresca vestida, analisei a minha situação. Estava bem de pernas e cabeça mas o estômago estava embrulhado e estava a ficar com sono, sem poder beber café (já o tinha dito, mas achei por bem repetir). Já estava acordado desde as 06h00 do dia anterior, portanto há 20 horas e optei então por descansar.

Embora tivesse o quarto na residencial, onde a Elsa e a Sara estavam, optei por ficar no carro pois, se me deitasse numa cama ia ser o descalabro. Lá fui dormitando, com o relógio para as 04h00, que depois coloquei às 04h30, às 05h00 e finalmente, para as 07h00, assumindo assim que ia dormir pelo menos essas duas horas, e que não ia conseguir dar as 52 voltas propostas, a não ser que houvesse um milagre.

Tinha combinado com a Elsa telefonar-lhe às 07h00, para elas estarem de volta às 08h00 para darem as voltas que faltavam para as 12 propostas. Acordei, fresco que nem uma alface mas cheio de azia ainda, telefonei à Elsa, e arranquei para as próximas 10 voltas.

Voltas 33 à 42

Chegado à zona de apoio, já com a camisola da Em’Força poucos eram os atletas em prova. Bebi um café (parvo) e voltou toda a acidez do estômago de há umas horas. O anti-ácido, esse continuava na mochila, no carro, bem guardadinho. Dei três voltas, embora acabado de me levantar, e chegaram a Elsa e a Sara para as suas cinco voltas. A Elsa tinha trazido uma bola com creme para mim que, obviamente, não consegui comer, só de pensar nela uuffss…

20140921_24hpt__24_IMG_2237Sabendo que não ia conseguir dar todas as 52 voltas, optei então por ficar com elas durante as suas cinco voltas “em falta”. Fui ao carro buscar e tomar finalmente o anti-ácido (que fez efeito quando acabou a prova), e o isotónico da SIS, pois como não conseguia comer, precisava de açúcar e café de algum lado. Encontrámos a Sofia, que ia participar num dos segmentos de três horas em equipa de três, estivemos um pouco com ela, fui mudar de roupa para a versão “manga curta e calção”, mantendo no entanto, e sempre, as perneiras mYleggs cor-de-rosa, que me acompanharam durante toda a prova.

Acabadas as cinco voltas com a Elsa e a Sara, acelerei. Fui encontrar-me com o grupo da caminhada solidária da Operação Nariz Vermelho que por coincidência a fez na manhã de domingo, e tirei uma foto com eles, continuando depois com a corrida.

Voltas 43 e 44

Aqui, para mudar de camisola, não precisei de ir ao carro. Da última vez que lá tinha ido tinha trazido tudo o que achava que precisava até ao final. Estas duas voltas foram, sem dúvida, as voltas mais complicadas de toda a prova. Só aqui, no quilómetro 88 e picos é que “bati no muro”. Para estas voltas, que foram duas mas eram para ter sido dez, tive de fazer muitas opções e tomar decisões muito rápido.

20140921_24hpt__34_IMG_2254Tive de optar que camisola vestir, se a do meu projecto, se a do grupo dos grupos. Tive de pensar na desilusão que ia dar às pessoas que decidiram apoiar-me neste “passeio” por não completar todas as voltas a que me tinha proposto. Pensar que tinha cometido montes de erros, facilmente evitáveis e que, havendo mais tempo, ia conseguir chegar às voltas propostas sem problema algum mas, as 24 horas estavam a acabar. Pensar que tinha ficado a descansar em vez de correr. Teria sido por estar mesmo tão mal disposto assim, ou teria sido por não acreditar que ia conseguir? O “muro”, cada um tem o seu muro, e não há dois muros iguais. Realmente, uma das coisas boas que trouxe desta prova, foram as lições aprendidas.

Opções, opções, optei pela camisola do Portugal Running. Dei a volta 43 a correr, prego a fundo. Quando ia começá-la, a Elsa e a Sara dizem que vêm comigo, bem como a Sofia, que era a minha última volta e que me iam acompanhar… E eu “mas não é a minha última, são pelo menos mais duas”, e arranquei, ficando combinado darmos a próxima juntos. Perto do final dessa, da 43, fiz contas de cabeça e vi que conseguiria até dar mais duas voltas mas, mais opções. Tentei, durante essa volta, a 43, chorar. Não iria chorar de alegria, não seria de tristeza, seria de raiva e frustração. Mas optei por não o fazer, ou talvez não o tenha conseguido… Ia perder mais tempo e tempo, já eu tinha perdido… Pensei em coisas boas, nos outros participantes, na Elsa e na Sara e em todas as pessoas que me apoiaram para estar ali, a apoiar os outros, e acelerei ainda mais, sem derramar uma única lágrima e a mudar a mente para modo sorriso.

Na próxima volta, já perto do final, vamos então os três (a Sofia tinha ido ver o Pedro chegar). Fomos devagar, a apreciar a vista e a última volta ao parque, brincando e tirando mais algumas fotografias, vendo a meta a aproximar-se e ouvindo o speaker de serviço a anunciar a chegada dos atletas. Na “ponte do meio”, onde estava a Sofia, pedi-lhe para ficar com o carrinho da Sara e optámos por levá-la às cavalitas até ao final.

20140921_24hpt__35_ivete__13949_10204730945609312_1619583808968626730_nA chegada, foi apoteótica. Atletas, famílias, câmaras fotográficas, o staff, população, caminhantes, todos à nossa espera e a aplaudir, o dorsal 8, 88 e 888, os Ronhonhós, fantástico, nunca tinha visto nem sentido na pele uma chegada ao final de uma prova assim, só isso fez render todas as 24 horas e o apoio que recebi, fariam render até 48 horas ou mais.

Com estas contas todas, a Elsa e a Sara fizeram uma volta a mais do que as propostas então, ficaram pelas 13 voltas cada um. Eu, fechei a contagem na volta 44.

Pós voltas

Os três de medalhas recebidas (havia medalha para a Sara também, mais um mimo da organização), ficámos até chegar o último atleta, todos os atletas ficaram até chegar o último de nós. A celebração continuava. Fotografias, beijos e abraços e fomos almoçar, todos, e quase todos ficámos para a entrega dos troféus.

20140921_24hpt__42_IMG_2270A Elsa, merecidamente, ficou no segundo lugar do seu escalão (Feminino 40 na prova individual), o que demonstra que sair da zona de conforto traz sempre as vantagens. Foi a primeira vez na vida que subiu a um pódio para receber um troféu e foi com a Sara ao colo. Foi a primeira vez que a vi a bater palmas, espetáculo!

Embora os aguaceiros ameaçassem cair, ficámos até ao final vendo todos os troféus serem entregues. Fomos despedir-nos de toda a equipa de organização e voluntários, que foi incansável para dar as melhores condições de conforto a todos os participantes e familiares.

Então mas correu tudo bem?

Não, claro. É normal haverem falhas, e esta prova não foi excepção. Nem tudo correu bem. No entanto, nada de grave, como já vi acontecer noutras provas. O pódio, era muito alto, os atletas tinham de subir um escadote minúsculo para lá chegar acima, e tinham (alguns) de ser ajudados a fazê-lo, e a descer também mas essa foi a única falha que vi porque de resto, para uma primeira edição, é complicado ultrapassar o nível…

Obrigado pela recepção, foram incansáveis. Desde a bicicleta sempre a circular pelo recinto, a ver o estado dos atletas e a recolher eventual lixo caido no chão, à prestabilidade e simpatia de toda a equipa, especialmente a da “cozinha”, ao processo de levantamento dos dorsais, o fotógrafo no final, as medalhas colocadas ao pescoço, à semelhança da Meia Maratona das Lampas, fichas eléctricas disponíveis para carregar aparelhos electrónicos, massagistas, o Zumba nocturno, as actualizações horárias das classificaçõs, um hospital de campanha, impecável.

Por isso já sabem, João Paulo e Vitor, podem tornar os dorsais 8, 88 e 888 cativos, por favor.

Na pensão

Fomos então buscar as malas à residencial e optei por não tomar banho. Embora a acidez do estômago já tivesse passado (era stress também, de certeza), estava a ficar cansado, e se tomasse um banho ficaria mole demais para conduzir. Arrancámos para Lisboa e fomo-nos revezando na condução bomba de gasolina sim, bomba de gasolina não. Parámos numa delas, para ir ao WC e, a surpresa…

20140921_24hpt__45_IMG_2275Para além da marcação “exótica” que retrato, os sanitários dos cavalheiros eram no andar de baixo, e eram só dois dolorosos lances de escadas, sem problema. Na saída, cruzei-me com o “atleta” Rui Pedras, e brinquei, é claro, com o lance de escadas também.

Lá viemos andando e chegámos sãos e salvos. Desarrumar os sacos, pôr a roupa para lavar, jantar e finalmente um banho quente antes de dormir, porque a vida não é só corrida ;)

Obrigado à organização, Armanda, Ivete e Miguel por algumas das fotografias do álbum.

2 comments

  1. Adorei a cronica das 24 horas dos Ronhonhos team.,Joao, Elsa e Grande Sara estão de parabens, sem duvida que o vosso gesto foi de uma enorme nobreza e de encher de orgulhos todos aqueles que vos conhecem.
    Há pesaos que nós vamos conhcendo ao longo da vida e que são isso mesmo pessoas, mas há sem duvida gente muito nobre que tambem nós vamos conhecendo ao longo da nova vida e que nos marcam por algum motivo. Tu és sem duvidauma dessas pessoas, um ser Humano incrivel, sempre pronto ajudar, é para mim um motivo de orgulho poder dizer eu conheço o João Campos a Elsa e a princesa Sara, parabens por tudo, e o muito obrigada por tudo o que nos tem ensinado e o meu muito obrigado por terem aceite a minha Amizade.
    Bem ajam familia bonita

  2. Que bela aventura que foi João! Abraço

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