E voltei, foi o regresso à Meia Maratona mais dura de Portugal Continental, pelo menos, do que conheço e sei. Depois de no ano passado me ter estreado, esta prova passou a ser uma daquelas onde “enquanto houverem pernas e possibilidade de participar” lá estarei.
O percurso maioritariamente rural, com as suas subidas e descidas, o apoio da população ao longo do mesmo, a simpatia dos voluntários, o preço, bem em conta, as ofertas, a melancia (de plantação local) no final, as rosas para as senhoras que terminavam a prova, a medalha, a presença da GNR em todos os cruzamentos, as amigas e amigos que se encontram e reencontram neste dia de festa, fazem valer a deslocação e a inscrição, e ficar já a pensar na prova do ano que vem.
Um ponto que estranhei este ano nas ofertas, foi a camisola. Ao que sei, e pelo menos no ano passado assim foi, a camisola só era dada a quem terminasse a prova. Este ano, era dada logo aquando do levantamento do dorsal (pré-furado e de boa qualidade, personalizado com o nome do atleta), perdendo (pelo menos para mim), aquele glamour da “camiseta de finalizador das Lampas” mas pronto, imagino que logisticamente seja mais simples assim a gestão, sem stress.
Este ano, melhorei, o desempenho, e isso não estranhei. Fiz cerca de menos 16 minutos na prova do que no ano passado, e não fui a dar o máximo, fui-me a guardar para o que aí vem. Menos 16 minutos, num ano é obra, pelo menos para mim, é obra. Ia a apontar para fazer a prova em menos de duas horas e quase que consegui, fiquei um minuto aquém do objectivo.
O meu “grande inimigo habitual”, os intestinos, trairam-me de novo. Deram sinal da sua existência ao quilómetro sete, no início da cobra, onde no ano passado parei durante quatro minutos devido à mesma causa mas, optei por avançar, arriscando a chegada até ao final. No quilómetro dezassete no entanto, tive mesmo de “encostar à box” e perder dois minutos e picos, a fazer uma coisa que na realidade, ninguém pode fazer por mim.
Chegado ao fim, as amigas e amigos à espera, incluindo a Elsa e a Sara, que tinham ido à caminhada. Fui ficando pela chegada a ver mais amigas e amigos chegar, até aos últimos chegarem, o Carlos, a Hélia e Paulo Jorge.
Fui então para a zona da entrega dos prémios, gosto sempre de assistir a essas cerimónias. Já de outros tempos tenho “a mania” de ser sempre dos últimos a ir embora, e o mesmo se aplica “nestes tempos”. Aqui, confesso e tenho de o dizer, achei que a anarquia (ligeira) estava instalada.
Embora tenha havido um esforço notório e evidente da parte da organização, em melhorar os meios técnicos de controle de atletas (chip, com controles electrónicos intermédios ao invés dos elásticos do ano passado e, inclusivé mudança de empresa que presta esse serviço), a entrega dos prémios foi confusa, com escalões “partidos” e chamada de atletas sozinhos porque os dados na altura da primeira entrega estava incompleta, algo assim, nem consegui perceber bem no meio do “barulho das luzes” mas também não estava à procura de falhas. Do que sei, e que tenho a certeza, a situação será revista e melhorada no ano que vem, é sempre, não havia de ser isso excepção desta vez.
A minha sugestão, para ser construtivo então é “primem pela diferença”, e não cedam à pressão de começar a entrega dos prémios e troféus sem o último atleta ter chegado. Não demora assim tanto tempo e, dessa forma, podem ter tudo a postos e passado a limpo para todos poderem usufruir da cerimónia, e todos os que recebem prémios receberem mais aplausos ainda. No entretanto, para entreter quem espera, é aproveitar a infraestrutura montada da festa e colocar uma banda a tocar, um organista ou animador, distrai sempre, fica a dica.
Entregues os prémios, o grupo dispersou. Parte arrancou para jantar lá perto (Este ano não houve churrasco), eu, a Elsa e a Sara fomos dar uma volta aos carrocéis enquanto esperávamos o Carlos e a Hélia, a pensar no que faziamos a seguir. Voltámos à zona do palco, onde o Fernando Andrade fez o discurso final de agradecimento aos voluntários e participantes e começava a ficar fresquinho.
Como não vi o Carlos e a Hélia entrámos no carro e arrancámos. Parei, perto do lugar do churrasco do ano passado, e não pude evitar tirar uma fotografia, que ilustra este texto, ficando com uma certa nostalgia e questionando-me com o que terá mudado, e tanto, para este ano aquele sítio estar tão vazio…
Seguindo em frente, no restaurante onde o resto do grupo ia jantar, passámos à porta e a fila prolongava-se pela rua fora. Era noite, estava a ficar frio, optámos por seguir para casa. Jantar leve e banhos tomados, é hora de dormir. Dormi um sono descansado e solto, sonhando embalado com as subidas e descidas de São João das Lampas, como quem sonha com as ondas do mar no primeiro dia de praia, quando é pequeno…
Porque a vida não é só corrida Blogue do João Campos


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